HOMILÉTICA, A ARTE DA PREGAÇÃO BÍBLICA

DEFINIÇÃO DE HOMILÉTICA

Homilética é a ciência que se ocupa com a pregação cristã e, de modo particular, com o sermão proferido no culto, no seio da igreja reunida.

➡ O termo vem da palavra grega HOMILIA.

O verbo HOMILEIN era usado pelos gregos sofistas para expressar o sentido de “relacionar-se, conversar”, por isso então do termo Homilética.

HOMILIA designa, especialmente no Novo Testamento, “o estar juntos, o relacionar-se”, e, nos primeiros séculos da Era Cristã, o termo passou então a ser usado para denominar a “arte de pregar sermão”.

Daí, deriva o sentido “homilética” e suas formas de expressão. Desde então e muito cedo, a homilética passou a fazer parte da teologia prática.

Sua tarefa não se limita apenas a princípios teóricos, mas concentra-se grandemente no treinamento prático.

O OBJETIVO DA HOMILÉTICA

OBJETIVO DA HOMILÉTICA

O objetivo principal da homilética desde o seu princípio foi orientar os pregadores na dissertação de suas prédicas e, ao mesmo tempo, fazer que os mesmos adquiram princípios gerais corretos e despertá-los a terem ideia dos erros e falhas que os mesmos em geral cometem.

São inúmeras as obras, boas e úteis, em diversos idiomas e de diferentes datas que tratam diretamente desta disciplina.

Com efeito, porém, à medida que vamos lendo estas obras; corrigimos essas falhas que se apresentam. Convém notar que a homilética não é mensagem.

Ela disciplina o pregador para melhor entregar a mensagem. Mas não nos esqueçamos: A mensagem é de Deus ( Efésios 6:19).

Entretanto, não devemos esquecer ‘”que para melhor compreensão e apresentação da mensagem deve haver um certo preparo e treinamento por parte do pregador.

Quer aprender mais sobre como pregar, então veja: Como pregar pela primeira vez?

A HOMILÉTICA E A ELOQUÊNCIA

HOMILÉTICA E A ELOQUÊNCIA

A missão principal da homilética é conservar o pregador na rota traçada pelo Espírito Santo, por isso que seu papel é ajudar o pregador.

Ela ensina, onde (e como) se deve começar e terminar o sermão. O sermão tem por finalidade convencer os ouvintes, seja no campo político, forense, social ou religioso.

Por esta razão a homilética encontra-se ligada diretamente à eloquência.

A eloquência é a capacidade intelectual de convencer pelas palavras. As palavras esclarecem, orientam e movem as pessoas.

O pregador que consegue mover as pessoas, persuadindo-as a aceitar suas idéias, é eloquente, pois a eloquência é a capacidade de persuadir pela palavra.

Fala-se de Apolo, um judeu, natural de Alexandria, que era “…eloquente e poderoso nas Escrituras” (Atos 18:24).

Existem várias maneiras de persuadirmos ou convencermos alguém a seguir nossa orientação, vejamos então:

A PERSUASÃO DA HOMILÉTICA

O poder da persuasão pode convencer até o próprio Deus! Moisés, o grande legislador hebreu, pregou para que Deus se arrependesse e conseguiu!

Com efeito, Deus se arrependeu e perdoou ao povo ( Êxodo 32:7-14 ).

Jonas, de igual modo, conseguiu o arrependimento do povo ninivita e o arrependimento de Deus ( Jonas 3:4-10 ).

JESUS E A HOMILÉTICA

PREGAÇÃO NOVO TESTAMENTO

No ministério de Cristo, a homilética ocupou o lugar central no que diz respeito a sua propagação plena.

Embora fortemente ousado a dar primazia a outros métodos de abordar o povo, Jesus “…veio pregando” ( Marcos 1:14 ).

Na sinagoga de Nazaré, o Mestre descreveu a si mesmo como divinamente enviado “…para evangelizar os pobres… a pregar liberdade aos cativos… a anunciar o ano aceitável do Senhor” ( Lucas 4:18,19 ).

Os evangelhos nos apresentam quadros inesquecíveis do Pregador Itinerante, nas sinagogas, nos montes, nas planícies, à beira-mar, de vila em vila, de cidade em cidade e em todo o lugar, trazendo após si multidões quase incontáveis, deixando o povo fascinado com suas palavras de graça e com autoridade do seu ensino.

A pregação de Jesus continha todo o sabor da bondade divina: era um clamor insistente por sua compaixão, e poderoso por sua urgência.

A pregação direta é, sem dúvida, um convite consciência, à razão, à imaginação e aos sentimentos, mediante a declaração da verdade e da graça de Deus, pois produz um efeito mais urgente e eficaz.

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O VALOR DA HOMILÉTICA

VALOR DA HOMILÉTICA

A homilética contribuiu, no sentido geral, na propagação da Palavra de Deus.

Duas coisas, contudo, influenciaram grandemente a pregação cristã, levando-a para as formas retóricas.

A PRIMEIRA VANTAGEM

A primeira foi a disseminação do Evangelho entre as nações gentílicas, em cujo seio as tradições e formas judaicas eram pouco conhecidas.

Basta lembrarmos da crítica que de Paulo fizeram alguns coríntios, e como se deliciavam em ouvir Apolo, por ser “…eloquente e poderoso nas Escrituras”.

A SEGUNDA VANTAGEM

A segunda coisa que influiu foi a conversão de homens que já tinham sido treinados na retórica.

Muitos deles, dia-a-dia, se tornavam pregadores, e naturalmente usavam seus dotes retóricos na proclamação do Evangelho.

Acrescentemos a essa influência o declínio dos pregadores judeus não cristãos, e veremos como a homilia (a arte de pregar) cedeu lugar proeminente ao sermão elaborado.

Por isso, naqueles dias já se definia a homilética “como a ciência que ensina os princípios fundamentais de discursos em público, aplicados na proclamação e ensino da verdade em reuniões regulares congregadas para o culto divino” (Hoppin).

A ORIGEM DA HOMILÉTICA

PREGAÇÃO NA HISTÓRIA DA IGREJA

A homilética propriamente dita, nasceu muito cedo na história humana.

Embora não como termo designativo homiletikos (arte de pregar sermão) e homilia (arte de falar elegantemente na oratória eclesiástica), mas como oratória pictográfica (sistema primitivo de escrita no qual as idéias são expressas por meio de desenhos das coisas ou figura simbólicas).

Ela surgiu na Mesopotâmia há mais de 3000 anos a.C., para auxiliar à necessidade que os sacerdotes tinham de prestar contas dos recebimentos e gastos às corporações a que pertenciam e faziam suas prédicas em defesa da existência miraculosa dos deuses do paganismo.

O sistema sumeriano viria a ser o protótipo (primeiro tipo ou exemplo) de outros importantes sistemas de escrita, como o egípcio, por exemplo.

COMO TERMO DESIGNATIVO

Entretanto, homilética como termo designativo com suas técnicas, sistematização e adaptação às habilidades humanas, nasceu entre os gregos com o nome de retórica.

Depois foi adaptada no mundo romano com o nome de oratória, e, finalmente, para o mundo religioso com o nome de homilética.

• A retórica e a oratória tomaram-se sinônimos para
identificar o discurso persuasivo (profano).

• A homilética, entretanto, passou a identificar o discurso
sacro (religioso).

A VIDA NOS TEMPOS BÍBLICOS

A PARTIR DO IV SÉCULO D.C

A partir desta época os pregadores cristãos começaram a estruturar suas mensagens, seguindo as técnicas da retórica grega e da oratória romana.

Com efeito, porém, desde o primeiro século da Era Cristã, esta influência estrutural da homilética já começava a ser sentida no seio do Cristianismo.

Não é de se surpreender, portanto, que a maioria dos teólogos cristãos primitivos compunha- se dos que aceitavam as teorias gregas e romanas.

Pois muitos deles eram filósofos neoplatônicos convertidos ao Cristianismo ou estavam sob a influência dessa idéias (conforme foi o caso de Justino Mártir, de Clemente de Alexandria, de Orígenes, de Agostinho, de Ambrósio e muitos outros).